segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Das cavernas às nuvens

Onde? Do lado de fora da caverna! Logo que saí não me contive. Fui desbravar. O que eram aqueles rabiscos e relevos na rocha? Como foram feitos? Quando? Por que e por quem? Demoraram muitas eras mas conseguimos identificar os caracteres. Uma vontade em compartilhar razões e emoções. E nasceu a linguagem escrita. E Fiat Lux! As ideias brotaram diante dos sentidos. Organizaram-se em mensagem, partiram em caravanas para ligar emissores a receptores. Nem sempre encontraram nexo, sentido, lógica, coerência, sensatez. Mas houve quem extraísse a essência, convertesse um novo pensamento, palavra ou ação; para armazenar ou transformar. Quanto movimento evolutivo a leitura oferta na longa jornada do conhecimento!
Mas e a criação individual? Quem de fato detém o saber? O reconhecimento pertence àquele que primeiro registrar a ideia, claro. O que seria da máquina capitalista sem royalties, patentes, direitos autorais? Surge numa inspiração pessoal aleatória ou é uma permissão de acesso aos arquivos acásicos para poucos credenciados? Toda a sabedoria está encerrada no plano das ideias, dizia Platão. Cada escritor, com seu esforço e merecimento alcança algum pedaço ínfimo desse imenso tesouro intangível e tão sublinhado de verdade. E não basta sair da caverna... É necessário coragem para enfurnar-se noutras!

Quantas vezes pensamos em algo interessante. Um verso... Uma melodia... Um conceito... Uma solução... Uma ideia “nova”, que por algum motivo deixamos para lá e não a materializamos ou convertemos em ação. O tempo passa e de alguma forma chega ao nosso conhecimento que alguém teve a mesma ideia, colocou em prática e alcançou o êxito com ela. Você já passou por esta sensação de que alguém teve a mesma sua ideia não foi compartilhada com ninguém? Quando acontece, logo surge a pergunta culposa: “Por que não coloquei essa ideia em prática antes?” Ser ou não ser? O único... O primeiro... O original autor... Especulo que isso acontece porque as ideias flutuam sobre nossas cabeças feito nuvens. Repousam não num minúsculo pedaço de silício, disco, fita, vinil, acetato... Rocha arcaica! Estariam num a inovadora substância não comprovada cientificamente mas apontada por muitas filosofias tão antigas quanto avançadas.  Uma espécie de éter prânico ionizado que nos reveste em camadas como se fôssemos Matrioshkas. Uma invenção do Grande Arquiteto do Universo onde todos os pensamentos ficam gravados com qualidade pra lá de sete dimensões! Espero um dia entender como tal mecanismo físico ocorre. 

A ciência tecnológica já engatinha na direção certa. A prova é a “nuvem”: Nova forma de armazenamento de dados digitais em rede, desenvolvida por um renomado fabricante de computadores que batizou o novo serviço de iCloud. Aliás... Nome copiado de um produto concorrente. Até tu, Brutus S. Jobs! Lavoisier esteja convosco!

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